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O que é ter sabedoria?

Vamos usar o exemplo de uma criança que tem um amigo imaginário: sabemos que esse amigo não existe, apesar de precisar um lugar à mesa, ser incluído e ter atenção. Agimos de forma generosa, sendo simpáticos e bem-humorados em relação a ele. Sabemos que a verdade desse amigo é uma verdade incidental à idade daquela criança. Assim que ela ficar um pouco mais velha, vai saber que aquele amigo era apenas sua imaginação.

Por enquanto, é difícil para aquela criança compreender que seu amigo é, na verdade, sua mente e não alguém real. Mas nós vamos tentar guiá-la, ajudando-a a crescer e a compreender, aos poucos, a diferença entre o que é verdadeiro e o que é apenas a experiência de sua mente. É essa a tarefa dos grandes mestres em relação a nós. Colocamo-nos sob orientação deles para que nos apresentem à nossa mente e para que possamos compreender a diferença entre a realidade e o que achamos ser a realidade. Nossa percepção da realidade é subjetiva, baseada no “eu” que observa. Somos sujeitos às limitações da percepção que temos sobre nossa vida. E isso não significa, de maneira alguma, que a vida seja limitada. Significa que nosso poder de detectar a vida é que está limitado. Como a criança que não entende que seu amigo não é real.

Sabedoria é ter uma experiência direta da nossa verdadeira natureza, ilimitada, com o uso da Meditação. Atualmente, a maioria de nós está carente de sabedoria. O mundo, como um todo, não funciona a partir da sabedoria. O mundo funciona a partir do ego, do desejo e da raiva –apesar da sabedoria estar sempre presente, e nunca ter se ausentado.

Este é o motivo pelo qual temos que ouvir os ensinamentos e nos aproximar de quem possui sabedoria: para que possamos aprender sobre sabedoria, praticar Meditação sobre sabedoria e, assim, expor nossa sabedoria.

Precisamos expô-la para que possamos ser sabedoria para os demais –para que eles também possam alcançar a realização da verdadeira natureza da mente.

Por não termos essa compreensão total da realidade é que os mestres, os budas e os detentores da linhagem nos ensinam. E a primeira sabedoria que expõem é que a vida é sofrimento. Podemos já ter ouvido isso antes, mas realmente permitir que isso faça parte de nossa compreensão e aplicar essa idéia em nossa vida é uma coisa completamente diferente.

Ao assistir o noticiário da TV, você vê rapidamente que a vida é sofrimento. Há alguns momentos de felicidade e há grandes dificuldades: doença, envelhecimento e morte. A felicidade, quando se apresenta, é muito bem-vinda, é claro, mas não é passível de ser mantida –é impermanente. Em nossa experiência de querer manter os acontecimentos impermanentes do mundo, como a felicidade, por exemplo, nós sofremos um bocado. Só o que queremos é ser felizes e ficamos frustrados por não conseguirmos viver em constante felicidade.

Para que meditemos, é preciso de informação. Ouvir os ensinamentos e contemplá-los. Esses ensinamentos poderão expor muitas idéias e conceitos que você pode nunca ter nem ao menos considerado, como por exemplo:

  • Você já considerou que sua percepção da vida pode ser totalmente subjetiva?
  • Como você espera entender alguma coisa sobre uma outra pessoa, a não ser aquilo que você é capaz de entender?

E mesmo assim, nós julgamos as pessoas todos os dias –as pessoas de quem gostamos e as que não gostamos. E nem percebemos que tudo é a percepção de nossa mente sobre a outra pessoa. É nossa aprovação ou desaprovação de acordo com o que nossa mente consegue compreender. Não tem nada de objetivo nesse julgamento. Conseguimos ver a realidade apenas de uma maneira subjetiva e nem nos damos conta.
Estamos presos na percepção de nossa mente. Nós só vemos aquilo que conseguimos ver –e não o que é verdade.

Outro exemplo: meu cachorro, que se chama Pao Wo, vê todas as pessoas como inimigas. Se você tentar afagá-lo, ele vai mordê-lo. Essa é a percepção que tem da realidade e ele está preso nela. Ele pode se acostumar com algumas pessoas, mas, em um dia ruim, vai mordê-las também, porque repentinamente as vê como inimigas. Essa é a percepção dele. Esse é o carma dele.

Nós somos como o Pao Wo. Somos um pouco mais sofisticados, é verdade, mas também não entendemos a verdade. Estamos presos em nosso carma.

Então temos que ouvir os ensinamentos sobre a verdade. E esses ensinamentos devem ser aplicados à nossa própria mente. Como poderíamos compreender a realidade se não compreendemos nem a nossa própria mente?
Você aplica, então, esses ensinamentos à sua própria mente e depois os contempla: você, diligentemente, põe seu cérebro para funcionar. Ao pensar nos ensinamentos, você terá dúvidas, e ao perguntar ao professor e obter as respostas, você poderá compreender a realidade de uma forma mais ampla.

© 2018 Chagdud Gonpa | Odsal Ling
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