(... continuação)

Espaço Sagrado - parte 2


Interrompidos pela impermanência... seguindo adiante
Agora, estamos construindo isso em São Paulo. É um pouco mais humilde, eu acredito, no sentido de que não sabemos exatamente como fazer tudo. Não somos tibetanos, mas fazemos tudo o que podemos de coração. Chagdud Rinpoche me deu apenas algumas poucas palavras de orientação sobre esta construção. Ele disse que era para ser feito da maneira tradicional, porque ele sabia que, originalmente, eu não planejava construí-lo tradicionalmente. Eu queria simplesmente criar um lugar prático. Estava pensando em madeira e vidro, algo bem zen, um lugar bonito com vista para o vale.

Rinpoche não me impediu, a princípio. Ele deixou que eu fizesse todo o projeto no papel para sua aprovação, e então, um dia, enquanto estávamos passando no corredor, Rinpoche resmungou algo e disse pra mim: “Você este tipo de erro fazer”. E eu disse: “O que, Rinpoche? Que erro fazer?”. E ele: “Você este tipo de erro fazer, não tradicional fazer.” *(Nota: tradução aproximada da maneira como Rinpoche falava em inglês).

Então eu soube que precisava construir o templo da maneira tradicional. De novo, refizemos os projetos, e Lama Norbu, que é meu magnífico manifestador, redesenhou tudo. (Rinpoche sempre disse que eu tinha o poder de apontar, mas Lama Norbu fazia a manifestação). Então recomeçamos o projeto e, mais tarde, mostramos para o Rinpoche, e ele aprovou o projeto do templo tradicional.

Mas fomos interrompidos pela impermanência, e tivemos que seguir adiante, sozinhos, juntamente com a sanga, tentando terminá-lo.

A sanga é extremamente prestativa e é muito tocante a maneira como ajuda – fazendo oferendas, ajudando com as próprias mãos, fazendo os trabalhos artísticos. O projeto é de de todos nós – não só meu ou do Lama Norbu. É realmente a sanga, o corpo da intenção de Rinpoche, que manifesta este templo.

Não é um prédio pequeno. Até que é grande, já que eu decidi tentar incluir o refeitório, a cozinha, os dormitórios e outros cômodos, todos em um mesmo prédio, porque é menos caro dessa forma. Então parece um pouco grande, embora a sala de meditação em si é um terço do tamanho do Khadro Ling – para aqueles que estiveram lá, sabem o que quero dizer. Creio que sentarão confortavelmente 200 pessoas – 250, apertadas.

Agora, a “casca” básica do prédio está concluída e ainda estamos trabalhando em algumas coisas como a escadaria da entrada, que tem sido realmente um grande desafio. Na verdade, não sabíamos como construir uma escadaria e tivemos que passar por uma série de problemas, como encontrar as pedras adequadas, transportá-las – 150 toneladas de pedras para a escadaria. Eu tenho sonhado com pedras. Há alguns desafios desses, de vez em quando.

Mas é muito animador, tudo está progredindo e, para mim, como a “apontadora”, parece que o templo está tentando se autoconstruir, embora isso não seja verdade, já que todos estão trabalhando arduamente nele.

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